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RedaçãoPerfeita
Tema ENEM 2023Nota 1000

O cuidado que sustenta o país — e ninguém vê

Tema: “Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil

📚 Simone de Beauvoir — O Segundo Sexo📚 Dados do IBGE sobre afazeres domésticos📚 Conceito de divisão sexual do trabalho

Texto autoral da equipe, escrito no padrão das redações nota 1000 do ENEM — o tema é o enunciado real da prova; o texto não reproduz redações de candidatos. Use como referência de estrutura, nunca como texto a decorar.

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Introdução

Na obra “O Segundo Sexo”, a filósofa Simone de Beauvoir afirma que não se nasce mulher: torna-se mulher — uma construção social que atribui ao gênero feminino papéis tidos como naturais. Essa reflexão ilumina a realidade brasileira, na qual o trabalho de cuidado — com filhos, idosos e com a própria casa — recai sobre as mulheres como se fosse vocação, e não trabalho. Desse modo, a invisibilidade dessa atividade persiste no país devido à herança de uma divisão sexual do trabalho e à insuficiência de políticas públicas de corresponsabilização, entraves que precisam ser enfrentados.

✎ Comentário do corretor

A introdução apresenta um repertório legitimado (Beauvoir) que conversa diretamente com o tema — não é citação decorativa. Em seguida, contextualiza o problema no Brasil e fecha com uma tese clara que anuncia os DOIS argumentos que serão desenvolvidos. O corretor identifica o projeto de texto em segundos: é isso que garante C2 e C3 altas.

não se nasce mulher: torna-se mulhertese clara que anuncia os dois argumentos
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Desenvolvimento 1

Em primeira análise, a raiz do problema é histórico-cultural: a divisão sexual do trabalho, consolidada ao longo de séculos, designou ao homem o espaço público e produtivo e à mulher o espaço doméstico e reprodutivo. Não por acaso, dados do IBGE revelam que as brasileiras dedicam, em média, quase o dobro de horas semanais aos afazeres domésticos e de cuidado em comparação aos homens — mesmo quando também trabalham fora. Essa naturalização transforma o cuidado em suposto “dom feminino”, o que o exclui das estatísticas econômicas e do reconhecimento social. Enquanto essa atividade for lida como amor, e não como trabalho, sua invisibilidade permanecerá intacta.

✎ Comentário do corretor

O parágrafo segue o esqueleto campeão: tópico frasal que retoma a tese → repertório produtivo (dado do IBGE) → análise que explica O PORQUÊ de o dado importar → fechamento que amarra ao tema. Repare que o dado não fica solto: a frase seguinte o interpreta. É a diferença entre citar repertório e usar repertório.

tópico frasal que retoma a teseo dado não fica solto: a frase seguinte o interpreta
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Desenvolvimento 2

Além disso, a omissão do poder público perpetua o quadro. A Constituição Federal de 1988 assegura, em seu artigo 6º, a proteção à maternidade e à infância como direitos sociais; na prática, porém, a oferta insuficiente de creches em tempo integral e a ausência de políticas robustas de corresponsabilização fazem do cuidado um problema privado — e feminino. O resultado é perverso: mulheres reduzem jornadas, recusam promoções ou abandonam o mercado de trabalho, alimentando a desigualdade de renda entre os gêneros. O Estado, ao não dividir esse peso, referenda a injustiça que deveria corrigir.

✎ Comentário do corretor

Segundo argumento com repertório jurídico (Constituição) usado de forma crítica: o texto aponta a distância entre a lei e a prática. A progressão é visível — o parágrafo 1 explicou a causa cultural, este mostra a causa institucional. O período final, curto e incisivo, dá força retórica sem perder a formalidade.

distância entre a lei e a práticaprogressão visível entre os parágrafos
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Conclusão

Portanto, o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado exige ação concreta. O Governo Federal, por meio do Ministério das Mulheres em parceria com o Ministério da Educação, deve ampliar a rede pública de creches em tempo integral e instituir uma campanha nacional permanente de corresponsabilização do cuidado, veiculada nas escolas, nos meios de comunicação e nas redes sociais, com financiamento do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação. Dessa forma, ao redistribuir entre Estado, homens e mulheres uma tarefa que sustenta toda a sociedade, o Brasil poderá, enfim, enxergar — e valorizar — o trabalho que Beauvoir ajudou a desnaturalizar.

✎ Comentário do corretor

Proposta com os 5 elementos explícitos: AGENTE (Governo Federal/ministérios), AÇÃO (ampliar creches + campanha), MEIO (FNDE, escolas e mídia), FINALIDADE (redistribuir o cuidado) e DETALHAMENTO (parceria entre ministérios e canais de veiculação). O retorno a Beauvoir fecha o texto em círculo — marca registrada das notas 1000.

os 5 elementos explícitoso retorno ao repertório fecha o texto em círculo

Por que esse texto vale 1000

C1

Norma culta200/200

Períodos bem construídos, pontuação precisa (uso de travessões e dois-pontos sem erro), regência e concordância impecáveis. Vocabulário formal sem rebuscamento artificial.

C2

Tema e estrutura200/200

Aborda o tema integralmente (invisibilidade + trabalho de cuidado + recorte de gênero) na estrutura dissertativo-argumentativa completa, com repertório de área externa (filosofia) produtivo.

C3

Argumentação200/200

Projeto de texto nítido: causa cultural → causa institucional → solução. Cada dado é interpretado, nunca apenas citado. Autoria visível nas análises.

C4

Coesão200/200

Conectivos variados (“Em primeira análise”, “Além disso”, “Portanto”) e retomadas lexicais (“essa naturalização”, “esse peso”) que amarram os parágrafos sem repetição.

C5

Proposta de intervenção200/200

Agente, ação, meio, finalidade e detalhamento presentes e articulados ao problema discutido — a proposta responde exatamente às causas apontadas nos desenvolvimentos.

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